Aos 25 anos, Brechó Outra Vez reafirma pioneirismo e força da moda circular em Fortaleza

Após celebrar a trajetória em um coquetel que reuniu clientes, fornecedoras e imprensa, negócio fundado por Thayssa Sanches destaca-se em um mercado global de segunda mão que deverá alcançar US$ 393 bilhões até 2030

Encontros, carinho, brindes e muitas histórias marcaram a comemoração dos 25 anos do Brechó Outra Vez. No dia 27 de agosto, a empresária Thayssa Sanches recebeu amigos, clientes, fornecedores e representantes da imprensa para uma concorrida tarde-noite de celebração na sede do empreendimento, no bairro Papicu.

Mais do que celebrar uma data, o encontro evidenciou a trajetória de um negócio pioneiro em Fortaleza, criado muito antes de expressões como moda circular, consumo consciente e secondhand ganharem espaço no vocabulário da moda. Ao longo de um quarto de século, o Outra Vez consolidou-se com repertório, rigor na curadoria e uma relação de confiança que atravessa gerações de clientes e fornecedoras.

Fundado oficialmente em 2001, o brechó nasceu de um bazar organizado com 20 sacos de roupas e cresceu ao transformar peças de grife em novas histórias de estilo.

Uma história que começou quase por acaso

Antes de abrir o Brechó Outra Vez, Thayssa Sanches foi gerente das marcas Pakalolo e Forum. As experiências proporcionaram conhecimento sobre tecidos, modelagens, caimento, composição de vitrines e organização do varejo. Esse olhar técnico, aliado ao bom gosto e à facilidade de compreender o estilo de cada cliente, tornou-se a base de uma empresa que surgiria quase por acaso, mas já com uma identidade muito bem definida.

No ano 2000, uma cliente da Forum, após a gravidez, decidiu renovar o guarda-roupa e perguntou se Thayssa teria interesse em promover um bazar com as peças que já não usaria. A resposta foi imediata. Pouco depois, chegaram 20 sacos com roupas, bolsas, sapatos e acessórios, todos de excelente qualidade e praticamente novos.

Thayssa organizou o acervo em cabides, convidou amigas e divulgou a iniciativa por meio dos recursos disponíveis à época: panfletos, telefonemas e boca a boca. Sem redes sociais ou aplicativos de mensagens, o resultado foi um sucesso absoluto.

A procura levou à realização de novos bazares a cada dois meses. Thayssa acionou o mailing de clientes formado ao longo dos anos no varejo de moda e, gradualmente, muitas dessas mulheres também passaram a fornecer peças. Em 2001, o projeto ganhou endereço físico no Papicu e nasceu oficialmente o Brechó Outra Vez.

“Desde o início, eu queria oferecer roupas bonitas, de boas marcas e impecavelmente cuidadas. Queria que a cliente encontrasse uma peça pronta para vestir e entendesse que comprar em brechó podia ser uma experiência elegante, confiável e prazerosa”, afirma a empresária.

Uma curadoria que ajudou a mudar percepções

O acervo do Outra Vez é renovado por uma rede muito qualificada de fornecedoras, formada, em grande parte, por mulheres de alto poder aquisitivo, com acesso a peças de grife e marcas desejadas. Muitas dessas peças chegam à loja pouco usadas e em excelente estado de conservação.

Antes de entrar nas araras, cada item passa pelo olhar criterioso de Thayssa, que observa tecido, acabamento, modelagem, conservação e potencial de uso. Para ela, uma etiqueta importante somente faz sentido quando vem acompanhada de qualidade e personalidade.

As produções apresentadas na loja e no Instagram também são elaboradas pela empresária, que permanece atenta às tendências e novidades da moda.

Esse padrão ajudou a formar uma clientela fiel e exigente. De acordo com Thayssa, ao longo desses 25 anos, clientes tornaram-se fornecedoras, fornecedoras trouxeram novas clientes e o espaço consolidou uma comunidade unida pelo prazer de se vestir bem.

A longevidade do brechó também se explica pelo vínculo pessoal construído pela empresária, que conhece preferências, reconhece estilos e transforma a compra em uma experiência de descoberta, acolhimento e confiança.

Visionária antes de a circularidade virar tendência

O movimento iniciado intuitivamente por Thayssa, quando esse comportamento ainda não era comum, hoje integra uma transformação global do consumo.

O Resale Report 2026, da ThredUp, elaborado com dados da GlobalData, projeta que o mercado mundial de vestuário de segunda mão chegará a US$ 393 bilhões até 2030, crescendo duas vezes mais rápido que o varejo de moda em geral.

O dado dimensiona uma mudança de comportamento que valoriza a extensão da vida útil das roupas, a circulação de produtos de qualidade e escolhas mais conscientes.

“Quando comecei, sustentabilidade ainda não era uma pauta cotidiana. Hoje, a moda circular está no centro das discussões sobre consumo e futuro. Olhar para essa transformação e perceber que o Outra Vez ajudou a abrir esse caminho em Fortaleza é motivo de muito orgulho”, destaca.

A expansão do mercado e o surgimento de novos brechós na capital cearense, especialmente nos últimos anos, confirmam a força de um segmento que o Outra Vez ajudou a apresentar à cidade.

Para Thayssa, entretanto, o pioneirismo não se resume a ter chegado antes. Está na capacidade de permanecer relevante, acompanhar as mudanças do varejo e do comportamento, preservar a qualidade e continuar surpreendendo mulheres que buscam originalidade, boas marcas e compras com propósito.

Para Thayssa, celebrar 25 anos é reconhecer uma trajetória feminina de coragem, visão e consistência.

“É também agradecer às clientes e fornecedoras que confiaram no projeto desde os primeiros bazares e ajudaram a transformar uma ideia simples em uma marca respeitada e querida em Fortaleza”, conclui.

No Outra Vez, as roupas ganham novos destinos. A história construída por Thayssa Sanches prova que bons negócios também podem ganhar novos significados — outra vez.

imagens: divulgação

 

Brechó Outra Vez
Rua Alfeu Aboim, 570 – Papicu, Fortaleza
Instagram: @brechooutravez

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